As alianças eleitorais em Goiás não necessariamente significam que todos os candidatos de um mesmo partido vão defender os mesmos nomes na disputa majoritária. Durante a campanha deste ano, candidatos a deputado estadual e federal de legendas como PSB, Novo e Mobiliza estão liberados para apoiar candidaturas ao governo e ao Senado que estejam em outras coligações.
A estratégia permite que os postulantes proporcionais construam alianças de acordo com a própria base eleitoral, levando em consideração lideranças, prefeitos, vereadores e grupos políticos de cada região. Para o cientista político Josimar Gonçalves, a liberdade pode favorecer principalmente candidatos que já possuem uma votação consolidada e têm capacidade de atrair eleitores para suas candidaturas.
“Elas vêm favorecer alguns candidatos que já são conhecidos por ser puxadores de votos, poderem fazer alianças e apoio eleitoral em determinadas regiões do Estado e assim conseguir ter mais votos”, avalia.
Segundo Josimar, essa movimentação tem impacto direto na formação das bancadas partidárias. Para os candidatos, o objetivo é ampliar a votação e garantir uma vaga. Para os partidos, eleger mais deputados significa aumentar a representação política e, consequentemente, ter acesso a mais recursos e espaço no horário eleitoral gratuito.
“Para os partidos políticos é importante que eles tenham cada vez mais deputados eleitos no Congresso Nacional, porque deputados federais significam mais tempo de campanha no horário eleitoral gratuito do rádio e da TV e, ao mesmo tempo, mais recursos financeiros no fundo partidário e no fundo eleitoral”, explica o cientista político.
A lógica também considera que a base de apoio de um candidato a deputado nem sempre coincide com a preferência política do eleitorado para os cargos majoritários. Um deputado pode ter, por exemplo, prefeitos e vereadores aliados em determinada cidade, mas esses mesmos líderes podem apoiar outro candidato ao governo ou ao Senado.
Na avaliação do especialista, permitir que os candidatos façam esses movimentos de forma individual pode ampliar a força eleitoral das próprias candidaturas. “Essa liberdade flexibiliza e favorece a ampliação dessa força. Então, do meu ponto de vista, é positivo para o alinhamento da estratégia do candidato ao cargo de deputado nas eleições deste ano”, diz.
Estratégia também aparece na disputa nacional
A flexibilização das alianças não se limita à política de Goiás. Na disputa pela Presidência da República, partidos do chamado Centrão, como MDB, PSDB, Cidadania, União Brasil, Republicanos e Podemos, optaram por não fechar uma posição nacional única em torno de um candidato.
Para Josimar, a estratégia permite que as legendas preservem espaço para negociações futuras e, principalmente, concentrem esforços na construção de bancadas fortes no Congresso Nacional. “A eventual aliança para compor uma coligação acabou ficando de lado nessa questão porque é melhor esse partido não participar formalmente de uma coligação agora no primeiro turno, esperar o que vai acontecer na eleição e, eventualmente, participar de uma aliança de apoio a um determinado partido político no segundo turno”, explica.
A neutralidade nacional também abre espaço para que os diretórios estaduais façam escolhas diferentes, de acordo com a realidade política de cada Estado. “Eu vejo que essa neutralidade vem do ponto de vista estratégico, em que as direções de vários partidos políticos optaram por manter uma neutralidade e, ao mesmo tempo, liberar os seus diretórios estaduais para se alinharem conforme a lógica local, ou seja, a lógica regional de cada Estado, na campanha para governador”, afirma o cientista político.
Um dos exemplos dessa dinâmica é o partido Novo. Embora o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, seja uma das principais referências nacionais da legenda e tenha se colocado no campo da direita, em Goiás o partido integra uma coligação com o PL, que tem o senador Wilder Morais como candidato ao governo estadual.
Para o especialista, situações como essa mostram que as estratégias partidárias podem variar de acordo com o cargo e com o território. A posição adotada nacionalmente não necessariamente determina todos os movimentos feitos pelos diretórios estaduais ou pelos candidatos proporcionais.
Na prática, a estratégia permite que os partidos preservem diferentes possibilidades de alianças e que os candidatos trabalhem de maneira mais direcionada para seus próprios eleitorados.
O cenário também reforça uma característica das eleições proporcionais: embora os partidos façam alianças e apresentem chapas, a disputa por votos é individual e cada candidato pode buscar os caminhos que considera mais eficientes para chegar à Câmara dos Deputados ou à Assembleia Legislativa de Goiás.


