Caso venda de gado: promotora Leila Maria de Oliveira faz graves acusações contra ex-delegado geral da Polícia Civil de Goiás

A promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de estelionato envolvendo a comercialização irregular de gado em Goiás, fez sérias acusações contra o ex-delegado geral da Polícia Civil, Alexandre Pinto Lourenço, que atualmente atua como advogado das vítimas.

Em áudio obtido pela BandNews FM, Leila Maria afirma que o objetivo da ação é extorqui-la e fazer com que ela pare com investigações que estão em andamento. “Ele vende isso pro governo de Goiás para me denegrir. Querem me intimidar”, afirma.

Por meio de nota, Lourenço disse que a fala de Leila Maria é uma tentativa da promotora de desviar os resultados da investigação, que tem como principal suspeito, o filho dela, o empresário Gabriel Fucciolo de Oliveira Brandão, de 26 anos. 

Segundo o advogado, trata-se de ataques pessoais contra ele. “Tive uma carreira sólida, isenta e responsável no combate à corrupção durante meu trabalho na Polícia Civil de Goiás, instituição da qual fui delegado-geral”, relembra Lourenço.

Ele afirma ainda que os ataques da promotora atingem toda a advocacia e são contra o direito constitucional de defesa de vítimas de crimes, e ao devido processo legal. “Esses direitos devem ser garantidos em qualquer caso, independentemente das autoridades que possam estar envolvidas em uma investigação. Atacar um advogado ou uma advogada é atacar a própria Constituição”, reforça.

 

Golpe milionário na compra e venda de gado em Goiás

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o filho da promotora, Gabriel Fucciolo, teria movimentado cerca de R$ 4 milhões em negociações fraudulentas e causado prejuízo superior a R$ 3 milhões aos pecuaristas Luciano Vieira Rossi, Daniel Cristino Paulo, Valdir Aparecido Milanin e Wilson da Costa Filho. Somente Luciano teve um prejuízo de R$ 1,2 milhão.

A apuração mostra que o empresário comprava animais utilizando cheques sem fundos ou posteriormente sustados. Após receber o gado, ele não efetuava o pagamento aos vendedores e destinava os animais para uma propriedade rural localizada no município de Varjão, pertencente à mãe dele.

A promotora negou que o gado tenha sido levado para a propriedade e afirma tratar-se de uma chácara pequena, pertencente a ela e ao seu pai.  Leila Maria garante que não há guias ou notas que comprovem a atividade no local. “O gado nunca foi pra lá. A chácara é pequena”, reforçou.

O inquérito mostra o contrário, apontando que depois de serem levados para a fazenda, os animais eram revendidos em leilões da região. A estimativa da Polícia Civil é que mais de 2 mil cabeças de gado tenham sido comercializadas por meio do esquema investigado.

Documentos fiscais e relatos de motoristas também reforçam a suspeita de que o gado adquirido irregularmente não era levado para propriedades ligadas ao empresário, mas encaminhado diretamente para a fazenda da promotora.

Em seu depoimento à polícia, Leila declarou que não acompanha as atividades profissionais do filho e negou ter avalizado negócios ou participado de leilões ao lado dele. “Ele não me ligou em momento algum”, afirma.

As autoridades tentam esclarecer se Leila Maria tinha conhecimento das operações, participou das negociações ou colaborou de alguma forma para a ocultação dos animais. A mãe do investigado nega todas as suspeitas envolvendo seu nome e afirma que irá processar cívil e criminalmente os portais que divulgarem informações envolvendo seu nome.

 

Dinâmica do esquema

De acordo com depoimentos colhidos pelos investigadores, Gabriel utilizava o cargo ocupado pela mãe para transmitir credibilidade aos vendedores, chegando a simular conversas telefônicas durante as negociações como se estivesse repassando informações à promotora, sugerindo que os negócios contavam com respaldo financeiro e aprovação dela.

Outro elemento analisado pela polícia é um cheque de R$ 77 mil emitido em nome de Leila Maria de Oliveira, que teria sido utilizado em uma das negociações e apresenta indícios de falsificação.

Sobre essa alegação, a promotora afirmou desconhecer o documento e questionou por que a pessoa supostamente prejudicada não a acionou judicialmente. Ela cobra ainda que a Polícia apresente o documento original, já que segundo ela, apenas uma cópia foi apresentada no inquérito.

A defesa de Gabriel e da promotora disse ao portal Metrópoles que o caso se trata de uma dívida comercial e não de estelionato. Os advogados afirmam ainda que há uma tentativa de vincular a promotora às acusações sem provas e informaram que avaliam a adoção de medidas junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, CNMP.

Além da suspeita de estelionato, Gabriel Fucciolo também é investigado por possível prática de lavagem de dinheiro. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.

 

Leia a nota na íntegra:

Recebo essa informação com bastante perplexidade por ver uma tentativa da promotora de Justiça querer desviar os resultados de investigação séria dos órgãos de persecução penal para ataques pessoais contra mim.

Tive uma carreira sólida, isenta e responsável no combate à corrupção durante meu trabalho na Polícia Civil de Goiás, instituição da qual fui delegado-geral.

Hoje, já que atuo como advogado, os ataques da promotora reverberam contra toda a advocacia e contra o direito constitucional de defesa de vítimas de crimes, ao contraditório e ao devido processo legal.

Esses direitos devem ser garantidos em qualquer caso, independentemente das autoridades que possam estar envolvidas em uma investigação. Atacar um advogado ou uma advogada é atacar a própria Constituição.