O aumento da participação feminina nas eleições de 2026 ainda não significa maior presença das mulheres nos espaços de poder. Partidos como PT, Mobiliza, Podemos e PL ultrapassam a cota mínima de 30% de candidaturas femininas nas disputas proporcionais. A federação União Brasil/PP chega a 50%.
Apesar do avanço nas chapas, a realidade nos cargos eletivos permanece desigual. Em Goiás, apenas 35 dos 246 municípios são administrados por mulheres, o equivalente a 10,57%.
A diferença também aparece dentro dos próprios partidos. Entre as 30 legendas com registro ativo na Justiça Eleitoral, somente quatro são presididas por mulheres. Em Goiás, Adriana Accorsi (PT), Aava Santiago (PSB), Cíntia Dias (Psol) e Lilia Monteiro (Rede) comandam siglas.
Para a cientista política Ludmila Rosa, o crescimento das candidaturas não representa, necessariamente, mudança estrutural. Segundo ela, muitas mulheres entram nas disputas sem o mesmo investimento político e financeiro destinado aos homens.
Já a cientista política e filósofa, Rejaine Pessoa, acredita que a cota ampliou a presença feminina, mas não eliminou a desigualdade de condições. Os números mostram, portanto, que aumentar candidaturas é apenas uma etapa para ampliar a participação das mulheres na política.
