Sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino estão entre os principais sinais de alerta para o câncer colorretal. Ainda assim, quase metade dos brasileiros demora a procurar atendimento médico mesmo após perceber esses sintomas. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Hospital A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus.
O levantamento mostra que 4 em cada 10 pessoas que notaram sangue nas fezes não buscaram ajuda médica imediatamente. Outro dado que chama atenção é o desconhecimento sobre os exames de rastreamento: 67% dos entrevistados afirmaram nunca ter ouvido falar da pesquisa de sangue oculto nas fezes, um dos principais métodos para detectar a doença antes do aparecimento dos sintomas.
Para o médico cirurgião do aparelho digestivo Jales Benevides, a falta de informação faz com que muitos pacientes deixem de realizar exames capazes de identificar o câncer em estágios iniciais. “Parte dos nossos pacientes sabe da importância da mamografia ou do rastreamento do câncer de próstata, mas não conhece a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes”, explica.
Segundo o médico, esses exames têm impacto direto na redução da mortalidade. Isso porque, quando o câncer de intestino provoca sangramento, muitas vezes a doença já está instalada e pode até ter se espalhado para outros órgãos.
O especialista ressalta que o câncer colorretal é o segundo tipo mais frequente no mundo entre homens e mulheres e ainda recebe pouca atenção quando comparado a outros tumores. “Infelizmente, ele ainda é muito ignorado pela sociedade. A gente fala muito sobre prevenção do câncer de mama e de próstata, mas pouco sobre o câncer de intestino. O ideal é não esperar os sintomas aparecerem para fazer o rastreamento”, alerta o especialista.
O desconhecimento é ainda maior entre os jovens: 85% afirmam não conhecer o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes. O dado preocupa porque, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, Inca, o Brasil deve registrar mais de 53 mil novos casos de câncer colorretal por ano, tornando a doença a segunda mais frequente no país.
Apesar dos números, Jales Benevides destaca que as chances de cura são elevadas quando o diagnóstico é feito precocemente. Além dos exames preventivos, ele reforça a importância de hábitos saudáveis. “O excesso de peso provoca um estado de inflamação crônica que aumenta o risco para o câncer colorretal. A alimentação também influencia. O consumo frequente de embutidos, alimentos enlatados e defumados deve ser evitado. São medidas simples que ajudam na prevenção”, orienta.
O médico recomenda ainda que, qualquer alteração persistente no funcionamento do intestino, especialmente quando acompanhada de sangue nas fezes, seja avaliada por um especialista o quanto antes.

