A combinação de seca, calor e atividade física acende o sinal de alerta para a saúde. Com o avanço da estiagem, a umidade relativa do ar despenca para níveis perigosos. Dados do Cimehgo mostram índices críticos abaixo de 20%, bem longe dos 50% recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
O gerente do Cimehgo, André Amorim, explica que as temperaturas também estão acima da média para o período. Segundo ele, os termômetros têm registrado, em média, um grau a um grau e meio acima do normal.
Apesar do calor, ele esclarece que, por enquanto, o cenário ainda não é considerado uma onda de calor.“Está muito quente e realmente necessita que tenhamos aí um cuidado especial com a hidratação”, alerta.
Sob o ar seco, o corpo perde líquido com mais facilidade, principalmente durante a prática de exercícios. A Sociedade Brasileira de Cardiologia, SBC, alerta que a desidratação reduz o volume de sangue circulando pelo organismo e faz com que o coração precise trabalhar mais para manter a circulação adequada.
Para quem mantém uma rotina de atividades físicas ao ar livre, o cuidado precisa ser redobrado. A médica cardiologista Lorena Rebouças explica que o calor e a baixa umidade fazem o organismo trabalhar para tentar controlar a temperatura corporal. “Nosso corpo, quando está exposto ao calor e há umidade relativa baixa, vai tentar regular a temperatura interna que está alta”, explica.
Nesse processo, ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode provocar queda da pressão arterial. Ao mesmo tempo, a transpiração aumenta e favorece a perda de água e eletrólitos pelo organismo.
“Com a umidade relativa baixa, ele faz isso até com uma certa facilidade, favorecendo a perda de água do nosso organismo e, junto com isso, perde-se também eletrólitos”, afirma a médica.
Com a redução do volume de líquidos e a queda da pressão, o coração passa a trabalhar mais e aumenta a frequência cardíaca. Para quem pratica exercícios, principalmente em ambientes abertos, a recomendação é adaptar a intensidade e reforçar a hidratação.
Pessoas com doenças cardiovasculares precisam de atenção
O risco é ainda maior para pessoas que já possuem algum problema de saúde. Pacientes com arritmia, insuficiência cardíaca, hipertensão ou insuficiência renal podem apresentar maior risco de complicações durante períodos de calor intenso e baixa umidade.
Segundo Lorena, nesses casos, a exposição às condições climáticas adversas pode favorecer alterações cardiovasculares importantes, como arritmias graves, infarto e até Acidente Vascular Cerebral, AVC. “Esse paciente pode vir a ter mais risco do ponto de vista cardiovascular de desenvolver situações graves”, alerta.
A cardiologista também cita estudos que relacionam a exposição prolongada a temperaturas elevadas ao aumento do risco cardiovascular. Segundo ela, uma meta-análise aponta que, a cada um grau de aumento na temperatura, o risco cardiovascular pode crescer em aproximadamente 2%. Em situações de temperaturas extremas, esse risco pode chegar a 18%.
Além dos efeitos sobre o coração, o tempo seco também afeta o sistema respiratório. O ressecamento das vias aéreas pode facilitar sangramentos nasais e agravar crises respiratórias.
Por isso, durante a estiagem, a orientação é reduzir a intensidade dos exercícios quando necessário, manter uma boa hidratação e evitar os horários mais quentes do dia. Roupas leves também ajudam o organismo a controlar a temperatura.
Os cuidados devem ser mantidos enquanto persistirem as altas temperaturas e a baixa umidade, até o retorno de condições mais favoráveis com o período chuvoso.


