Entrevista: Aumento de insetos Barbeiro acende alerta para doença de Chagas

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia identificou 29 barbeiros entre janeiro e setembro deste ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. O inseto pode transmitir a doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Em entrevista à jornalista Rosane Kotoski, no BandNews Goiás – 1ª edição, o assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Frank Cardoso, explicou os possíveis fatores associados ao aumento, como identificar o inseto e quais cuidados a população deve adotar ao encontrá-lo em casa. Ele também esclareceu como ocorre a transmissão e reforçou que nem todo barbeiro está contaminado.

Rosane Kotoski: Entre janeiro e setembro deste ano, Goiânia identificou 29 barbeiros, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. O que pode explicar esse aumento?

Frank Cardoso: As alterações climáticas podem modificar o ciclo de vida dos insetos e favorecer sua reprodução. Além disso, a cidade cresce e passa a ocupar áreas de mata que antes não eram habitadas, aumentando o contato entre as pessoas e esses animais.

R: O barbeiro é um risco apenas para quem mora em casas precárias ou em regiões rurais?

F: As casas de pau a pique ainda são relevantes nesse contexto, porque oferecem condições favoráveis à reprodução do inseto. Mas as residências próximas a áreas de mata também estão mais expostas ao contato com esses animais.

R: Como a população pode identificar o barbeiro?

F: Ele tem características que ajudam na identificação, como manchas na região traseira do abdômen, geralmente em uma área amarelada. Essas manchas podem ser alaranjadas, pretas ou mais escuras. Por isso, é importante observar o inseto e buscar orientação quando houver suspeita.

R: O que fazer ao encontrar um possível barbeiro dentro de casa?

F: A primeira coisa é se proteger e evitar acidentes. Se for possível, o inseto pode ser coletado com o auxílio de um saco plástico ou uma sacola, sem contato direto. Caso contrário, a pessoa deve acionar a Vigilância em Zoonoses, que pode orientar e realizar a coleta para análise.

R: Todo barbeiro transmite a doença de Chagas?

F: Não. Nem todos os barbeiros estão contaminados pelo Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas. Por isso, é importante que o inseto seja encaminhado para análise em laboratório, para verificar se está infectado.

R: Como ocorre a transmissão da doença?

F: O barbeiro se alimenta de sangue e elimina fezes durante ou após esse processo. Ao coçar o local, a pessoa pode levar o material contaminado para a ferida ou para outras áreas de entrada no organismo. Esse é o mecanismo de transmissão associado ao contato com as fezes do inseto infectado.

R: Quais são os sintomas da doença de Chagas?

F: Na fase aguda, pode haver febre leve, mal-estar e dores no corpo, mas também existem casos sem sintomas. A doença pode evoluir para uma fase crônica e apresentar manifestações anos depois, o que dificulta identificar quando ocorreu a infecção.

R: Como a população deve se prevenir?

F: O ideal é fazer verificações periódicas dentro de casa. Uma vez por semana, a pessoa pode conferir os ambientes, cuidar do lixo e observar se há insetos suspeitos. Também é recomendável verificar a casa antes de dormir. O importante é aumentar a vigilância, sem entrar em estado de alarme.

R: Existem regiões de Goiânia que exigem mais atenção?

F: Os locais com maior contato com a natureza e com áreas de mata merecem mais atenção. Mas não há, neste momento, uma região específica da cidade apontada como prioritária.

R: Onde buscar ajuda ao encontrar um possível barbeiro?

F: A população deve entrar em contato com a Vigilância em Zoonoses. O serviço orienta, esclarece dúvidas e pode realizar a coleta do inseto. O contato oficial está disponível no site da Prefeitura de Goiânia, na área de Zoonoses.

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