Crise no STF envolve ministros e chega ao debate eleitoral; 85% dizem que não mudaram voto

A crise no Supremo Tribunal Federal, STF, ganhou novos capítulos nas últimas semanas, com a discussão sobre a possibilidade de investigação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O caso começou após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a um número de telefone ligado a Moraes. O episódio passou a envolver também uma disputa dentro da própria Corte sobre a condução das apurações.

Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal  que reunia mensagens atribuídas a Vorcaro. O material mencionava contatos com Moraes, além de um contrato firmado entre o banco e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Moraes negou irregularidades.

Mais recentemente, imagens divulgadas mostraram Moraes e Viviane desembarcando de um avião que pertencia a uma empresa que tinha Vorcaro entre os sócios. O voo para o Rio de Janeiro ocorreu em agosto de 2025. O escritório de Viviane confirmou a contratação de serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, ligada ao empresário.

Na sequência da divulgação do relatório, Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça, alegando possíveis crimes como abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A solicitação foi apresentada com base em um documento atribuído à PF que levantava suspeitas sobre a condução das investigações envolvendo o Banco Master. O documento, porém, não tinha assinatura nem timbre da corporação e trazia a indicação de que as informações eram conjecturais e não tinham valor probatório.

A crise chegou ao plenário do STF em 15 de setembro. Inicialmente, os ministros deveriam analisar se as apurações relacionadas a Moraes poderiam prosseguir. Antes da discussão do mérito, porém, Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem e propôs que o caso de Moraes fosse analisado junto ao pedido de investigação envolvendo Mendonça.

A discussão foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, a decisão sobre a tramitação dos dois casos pode ficar suspensa por até 90 dias. Até a interrupção, quatro ministros haviam votado pela análise separada dos processos, enquanto três defendiam o julgamento conjunto.

A crise também passou a fazer parte do debate eleitoral, especialmente na disputa pelo Senado. O impeachment de ministros do STF é uma das pautas defendidas por candidatos de direita. A composição da próxima legislatura poderá definir o espaço que o tema terá na agenda do Senado.

Para o cientista político Guilherme Carvalho, a combinação entre a crise institucional e a polarização política torna o cenário eleitoral marcado por diferentes possibilidades. “Tudo isso torna as eleições as mais previsíveis e, ao mesmo tempo, imprevisíveis de todos os tempos.”

Segundo Carvalho, a posição dos futuros senadores em relação ao STF também pode ter peso na definição da composição da Mesa Diretora do Senado. “Isso fará com que, invariavelmente, no final das eleições, a primeira pauta mais urgente, o que vai definir quem vai sentar na mesa diretora do Senado Federal, será definido justamente pela posição majoritária de senadores eleitos ou reeleitos nesta eleição.”

Apesar da repercussão política da crise, a pesquisa Datafolha mostra que o episódio não provocou mudança na intenção de voto da maior parte dos entrevistados. 85% afirmaram que não mudaram nem pretendem mudar o voto por causa do caso.

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