Vanderlan Cardoso, PSD, explica afastamento de bolsonaristas e critica PEC da Blindagem: “Nós enterramos”

O senador Vanderlan Cardoso busca a reeleição ao Congresso pelo PSD nas eleições deste ano. O político, que possui uma carreira extensa na vida pública, conquistou uma vaga na Casa Alta nas eleições de 2018, como o mais votado em Goiás.

Neste ano, as pesquisas eleitorais colocam Vanderlan entre as três primeiras opções de voto, mas atrás de seus adversários. No levantamento divulgado pela Quaest no último dia 28 de agosto, o candidato aparece atrás de Gracinha Caiado, do União Brasil, e Gustavo Gayer, do PL.

Na avaliação dos cientistas políticos, o candidato, conhecido pela facilidade de diálogos com diferentes partidos e ideologias, enfrenta um desgaste de sua imagem, que foi intensificado nas eleições municipais de 2024, quando concorreu ao Executivo de Goiânia.

Outro fator que leva ao enfraquecimento de seu nome é o fato de sua esposa, Izaura Cardoso, ser suplente do bolsonarista Wilder Morais, atual senador por Goiás, e que neste ano não tem o apoio de Vanderlan.

O candidato explica o imbróglio durante a sabatina na BandNews FM nesta quinta-feira, 3. “Em 2022, a pedido do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, pra ter palanque e montar uma chapa aqui, quem montou foi o senador Vanderlan”, afirmou.

Na época, segundo o senador, a parceria seria com o PSD e Wilder Morais seria candidato ao Senado pelo partido, em um acordo com o ex-presidente. Vanderlan explica que, após uma mudança no cenário político do estado, a parceria tomou outro rumo. “Aí não teve outra opção a não ser fazer chapa pura”, disse.

De acordo com o candidato, a dificuldade para montar a chapa de suplência levou Wilder Morais a convidar Izaura para compor a chapa. Vanderlan também explicou por que não apoia mais Wilder Morais. Segundo ele, após as eleições de 2022, houve uma movimentação para desconstruí-lo politicamente, o que, na avaliação dele, teve reflexos na eleição seguinte.

“Já falei isso várias vezes, passou a eleição de 2022, vieram pra cima de mim”, afirmou.

Sobre as pesquisas eleitorais, o postulante afirma não se preocupar com os recortes e relembra seu desempenho em 2018. “O que sobrou em 2018, porque em 2018 nós tínhamos dois votos e um já estava definido. O outro tinha disputando Lúcia Vânia e Wilder Morais”, afirmou.

Vanderlan também relembrou os questionamentos feitos durante a disputa pela eleição como senador em 2028, e disse que muitos cientistas políticos questionavam onde ele se encaixaria na eleição. “Muitos falavam pra mim, desses cientistas políticos, esse pessoal: onde é que o Vanderlan encaixa aí? Nós chegamos em primeiro lugar”, disse.

O senador afirma que vê, novamente, pessoas trabalhando e voluntários ajudando em sua campanha para mostrar o trabalho realizado durante o mandato. “O pessoal trabalhando e ajudando, muita gente voluntária nos ajudando. É mostrar o trabalho que nós fizemos, foi muito trabalho”, afirmou.

Segundo Vanderlan, uma das dificuldades é a comunicação com os eleitores, já que ele conta principalmente com as redes sociais e com os espaços oferecidos por entrevistas. “Agora, talvez não chegou, porque nós só temos a nossa rede social para estar comunicando e os espaços que vocês nos dão através das entrevistas que a gente vem aqui, como essa”, declarou.

Outra pauta abordada durante a entrevista foi a chamada PEC da Blindagem, que buscava alterar as regras para prisões e processos contra parlamentares e passou pela Câmara e pelo Senado.

Vanderlan relembrou a tramitação da matéria e criticou quem votou a favor da medida.“Mas, se você for observar, olha a fundo quem que votou a PEC da Blindagem e olha a capivara, veja os processos que ele tem. Por que que ele quis se blindar?”, questionou.

O senador também explicou por que, segundo ele, a proposta foi rejeitada no Senado. “Por que que nós enterramos ela lá no Senado Federal? Eu estava comandando a CCJ naquele momento. Enterramos na primeira semana que essa porcaria chegou lá”, afirmou.

Ainda durante a sabatina, Vanderlan criticou o fato de a proposta ter recebido amplo apoio na Câmara dos Deputados. “Não é porque também foi quase unanimidade na Câmara dos Deputados, não. É só observar as pessoas que votaram a favor”, disse.

O empresário Vanderlan Cardoso iniciou sua trajetória política em 2004 como prefeito de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Nas eleições seguintes, em 2008, foi reeleito prefeito do município. A entrevista completa está disponível no canal do YouTube BandNews Goiânia.