Márcio Corrêa questiona representação do PL que pede sua expulsão por infidelidade partidária

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, questionou a representação que pede sua expulsão do PL de Goiás por infidelidade partidária. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que mantém apoio a candidatos da legenda em outras disputas e colocou em dúvida a iniciativa do processo.

Márcio declarou apoio à reeleição de Daniel Vilela, do MDB, para o governo de Goiás, enquanto o PL tem Wilder Moraes como candidato ao cargo. Apesar disso, segundo o prefeito, ele continua apoiando nomes do partido para outras funções.

“O meu candidato à Presidência é o próximo presidente Flávio Bolsonaro. Já manifestei isso várias vezes. O meu candidato ao Senado é a maior liderança de direita do Estado, Gustavo Gayer. O meu candidato a deputado federal é o Major Vitor Hugo”, afirmou.

Márcio também questionou a definição de infidelidade partidária e criticou a condução da representação dentro da legenda. “Eu queria entender o que é fidelidade e o que é infidelidade partidária”, disse.

A manifestação ocorreu após a executiva do PL de Goiás decidir, nesta quinta-feira, 27, receber a representação de um membro do partido, contra o prefeito. O processo foi apresentado depois da declaração de apoio de Márcio à candidatura de Daniel Vilela.

O advogado eleitoralista Leão Gaspar explica que a configuração de infidelidade partidária depende das regras estabelecidas por cada partido. Segundo ele, a legislação permite que as próprias legendas definam, em seus estatutos, quais condutas podem ser consideradas incompatíveis com suas diretrizes.

“Essa é uma matéria que a legislação deixou por conta dos partidos, para que eles próprios decidam aquilo que venha a configurar ou não infidelidade às suas diretrizes partidárias”, explicou.

O especialista pondera que seria necessário verificar se o estatuto do PL estabelece expressamente a obrigatoriedade de apoio aos candidatos do próprio partido. Segundo ele, muitos estatutos não trazem essa determinação de forma explícita.

O vice-presidente do PL em Goiás, Fred Rodrigues, avaliou os impactos da medida para a sigla em meio ao período de campanha eleitoral. Para ele, apesar dos reflexos políticos, o partido precisa preservar suas regras.

“Todo movimento acaba impactando, mas todos os outros partidos também têm suas situações para serem resolvidas. Obviamente, a gente está numa campanha que todos querem vencer”, afirmou.

Fred destacou ainda a trajetória de construção do PL e disse que a legenda precisa fazer valer suas normas, mas ressaltou o direito de defesa de Márcio Corrêa.

“Aqui o PL foi construído a duras penas através do sacrifício de muitas pessoas, principalmente do presidente Bolsonaro, das pessoas que encararam as candidaturas e sempre foram muito atacadas pela política tradicional”, disse.

O dirigente também afirmou que o prefeito tem direito de mudar de posicionamento político, mas que isso não elimina a necessidade de respeito às regras internas da legenda.

“Claro, assegurado todo o direito de ampla defesa, eu acredito, e também o direito da pessoa de mudar de posicionamento. Nada impede que isso seja feito, mas o PL aqui tem o seu tamanho, tem a sua história e, para ser um partido grande, ele tem que fazer valer as suas regras também”, afirmou.

Ainda segundo Fred Rodrigues, o documento foi encaminhado ao Conselho de Ética do partido, que deverá analisar o caso e decidir sobre a expulsão ou não de Márcio Corrêa.

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