A pauta sobre o combate à violência contra a mulher ganha destaque nos debates e entrevistas com os candidatos às eleições de 2026. Isso porque os anos se passam, mas o tema segue como um gargalo histórico para autoridades de segurança em todo o país. E em Goiás a situação não foge à regra. Quase 60 mulheres perderam a vida no ano passado no Estado, vítimas de feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.
Dentre propostas e projetos que prometem mitigar esse tipo de violência, uma delas que se atende à discussão em nível nacional, por meio do Congresso, é a concessão de porte de arma para mulheres sob medida protetiva de urgência.
Em Goiânia, essa pauta é discutida na esfera local. A Câmara Municipal derrubou o veto do prefeito Sandro Mabel e manteve o programa Escudo Feminino, que prevê um auxílio financeiro de até R$ 5 mil para mulheres vítimas de violência comprarem armas de fogo e itens de defesa, uma espécie de “kit sobrevivência”.
Para a candidata ao Senado Federal pelo PSB de Aava Santiago, Isaura Lemos, que busca uma das vagas goianas na Casa Alta pela aliança chamada Frente Democrática, que reúne partidos de esquerda em Goiás, a mulher precisa ter armas nas mãos para se defender.
Durante a sabatina desta quarta-feira, 26, na BandNews FM, a candidata declarou apoio ao programa, que é resultado de um projeto de Lei apresentado pelo vereador Major Victor Hugo, PL, e justificou o posicionamento a partir de uma experiência pessoal.
Isaura, que é técnica de enfermagem , contou que, quando teve a primeira filha, precisava sair de casa às 5h30 da manhã para trabalhar em um hospital e avaliou que, naquele contexto, um equipamento de defesa poderia aumentar sua sensação de segurança. “Se eu tivesse o kit, eu não estaria tranquila, mas estaria pelo menos mais equipada”, afirmou.
A comunista, como se intitula, afirmou que pretende atuar no Senado não apenas na punição dos agressores, mas também na prevenção da violência contra a mulher. Segundo ela, medidas preventivas são importantes, embora seus resultados possam demorar.
A candidata também citou estudos que, segundo ela, apontam uma relação entre o consumo de álcool e o perfil de parte dos autores de feminicídio. “70% dos feminicidas, eu andei estudando um texto sobre o perfil dos feminicidas, são alcoólatras”, afirmou.
Isaura Lemos também defendeu medidas mais rígidas para pessoas condenadas por violência contra a mulher. Ela afirmou ser favorável à retirada do serviço público de servidores que cometerem esse tipo de crime e criticou ainda a contratação de pessoas que estejam cumprindo pena por agressões contra mulheres. “Como é que é um servidor público e agride a mulher? Não serve para ser um servidor público”, disse.
Críticas à escala 6×1
Ainda durante a sabatina, a Pessebista também abordou questões relacionadas ao mercado de trabalho e fez críticas à escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre 6 dias de trabalho para ter apenas 1 dia de descanso.
A discussão sobre o fim da escala avançou no Congresso Nacional neste ano. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou, em 2 turnos, uma proposta que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em 5 dias, com 2 dias de descanso, a chamada escala 5×2. O texto seguiu para o Senado, onde a discussão continuou em agosto e até então, o texto segue sem uma definição na Casa.
Ao defender melhores condições de trabalho, Isaura afirmou que a rotina atual prejudica a qualidade de vida dos trabalhadores e também interfere na convivência familiar. “Quem ganha 2, 3 salários, você sabe que precisa de também, às vezes, até ter 2 empregos, ter uma atividade complementar, porque não dá pra satisfazer as necessidades das suas famílias”, afirma.
Segundo Lemos, trabalhadores submetidos a uma rotina excessiva acabam tendo pouco tempo para descansar, cuidar dos filhos e realizar outras atividades fora do trabalho. “Ninguém trabalha feliz assim. E se o trabalhador não trabalha feliz, não adianta”, declara.
Isaura Lemos soma 5 mandatos na Assembleia Legislativa de Goiás, sendo eleita deputada estadual pela primeira vez em 1998 pelo PDT. Ela chegou a disputar também a Prefeitura de Goiânia em 2000, 2004 e 2012, mas não conseguiu se eleger em nenhuma das oportunidades.

