A prática de soltar pipas no mês de julho, período em que as férias escolares coincidem com o tempo seco e céu mais limpo, é uma tradição consolidada entre os brasileiros. Essa atividade, que promove a integração entre gerações e momentos de lazer, pode, contudo, converter-se em uma prática de alto risco quando realizada de maneira irresponsável ou em locais inadequados, ameaçando tanto quem a pratica quanto os transeuntes.
Dados da Equatorial Goiás revelam que, no último ano, mais de mil pipas entraram em contato com a rede elétrica, ocasionando interrupções no fornecimento de energia, curtos-circuitos e riscos de incêndio. Segundo Jovanilson Faleiro, engenheiro eletricista e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás, CREA-GO, a dificuldade de fiscalização precisa torna complexa a imputação de responsabilidades.
Nesse contexto, o órgão enfatiza que a educação e a conscientização da comunidade são fundamentais para a prevenção de acidentes. O especialista sugere que órgãos municipais e concessionárias de energia adotem estratégias preventivas de comunicação. “Podem utilizar outdoors e campanhas em meios de comunicação meses antes do início das férias escolares”, orienta.
O objetivo, segundo o engenheiro, não é coibir a prática, mas fazê-la de modo seguro. Para isso, é recomendado o uso de espaços amplos e distantes da rede elétrica, como campos de futebol, praças ou parques, locais onde o risco de acidentes dessa natureza é minimizado.
Um ponto crítico de preocupação é a utilização de linhas com cerol, especialmente em proximidade com redes de alta tensão. O engenheiro alerta que o material condutor presente na mistura do cerol potencializa o risco de descargas elétricas intensas. “Enquanto uma linha convencional tende a se romper ao tocar a rede, o cerol aumenta a condutividade e a resistência do material, elevando significativamente a gravidade dos incidentes”, alerta.
Atualmente, Goiânia lidera o ranking de ocorrências na região metropolitana, com 231 casos registrados, seguida por Aparecida de Goiânia, com 190, e Senador Canedo, com 43.
Campanhas na Região Metropolitana
Durante o período de férias escolares, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia reforçou as ações para combater o uso de linhas cortantes. A operação concentra as fiscalizações nos locais onde a prática de soltar pipa é mais frequente, com o objetivo de evitar acidentes, principalmente envolvendo motociclistas e ciclistas.
Durante as ações, a Guarda Civil Municipal, GCM, apreendeu pipas, carretéis e outros materiais utilizados na prática irregular. O objetivo é manter os índices atuais de casos envolvendo soltura de pipa no município, como explica o Inspetor da GCM, João Neto.
Mais de 100 áreas da cidade foram mapeadas e receberam patrulhamento reforçado durante a operação, que segue até o início de agosto.
Em Goiânia, a ação ganha um nome diferente, Operação Pipa sem Cerol, mas o objetivo é o mesmo: conscientizar a população sobre os perigos de usar cerol ou linhas cortantes ao empinar pipas na cidade.
Realizada pela Guarda Civil Municipal, GCM, a 18ª edição da Campanha reúne ações educativas e de fiscalização com o objetivo de prevenir acidentes e salvar vidas.
O uso e a comercialização de linhas com material cortante são proibidos não apenas em Aparecida e Goiânia, e podem resultar em multa e outras sanções previstas em lei.
As autoridades reforçam que as pipas sejam empinadas apenas com linhas comuns, em locais abertos e longe da rede elétrica e das vias de grande movimento.

