Cientista social e presidente do PSOL Goiás, desde 2021, a candidata Cíntia Dias foi sabatinada pela BandNews FM nesta terça-feira, 25. Ela disputa uma vaga no Senado Federal pela chapa do candidato ao governo de Goiás pelo PT, Luiz César Bueno.
Durante a entrevista, a candidata argumentou sobre a importância de ampliar a industrialização do estado, mas criticou a falta de valorização de alguns territórios de Goiás. Segundo Cíntia, apesar da força econômica do agronegócio e do setor de serviços, é preciso garantir que a industrialização avance de forma mais descentralizada.
“O estado é muito rico pelo PIB do agro, dos serviços, mas a gente precisa garantir que a industrialização exista realmente e saia do papel”, afirmou.
Um dos principais pontos defendidos pela candidata é o desenvolvimento econômico da região do Entorno do Distrito Federal, DF. Segundo ela, o território ainda funciona como uma “cidade dormitória”, apesar de concentrar mais de 800 mil pessoas.
Para a postulante, a falta de uma identidade econômica própria também prejudica a população que vive na região. “ As pessoas que lá estão não sabem se são goianos ou se estão em Brasília, quem é que vai protegê-los, e isso para a gente é um problema”, disse.
Atualmente, o setor industrial de Goiás emprega mais de 418 mil trabalhadores e gera uma receita líquida de vendas superior a R$ 215 bilhões. Para a candidata, a descentralização da atividade pode ampliar a geração de empregos e também fortalecer os empresários goianos.
“A gente precisa prosseguir, avançar, garantir que tenha empregabilidade, garantir que tenha mais dignidade na relação de trabalho e empresária também”, afirmou.
A PSOLista também defendeu que o crescimento econômico seja acompanhado por uma distribuição maior da riqueza produzida no estado. Segundo ela, é necessário criar condições para que pequenos empreendedores cresçam e se transformem em empresas maiores.
“A gente quer que os nossos empresários sejam não micros, mas grandes empresários e que esse 1% que governa o estado de Goiás economicamente avance, não seja uma distribuição tão concentrada”, declarou.
Terras raras
Outro tema abordado durante a entrevista foi a exploração de terras raras em Goiás. O estado possui reservas de minerais considerados estratégicos para a fabricação de produtos como motores elétricos, turbinas eólicas e smartphones.
A exploração desses minerais coloca Goiás no centro das discussões sobre a transição energética e também desperta interesse de empresas e investidores em um mercado atualmente dominado pela China.
A candidata defende que o estado tenha maior controle sobre essa riqueza e que eventuais parcerias com empresas privadas sejam realizadas sob coordenação do poder público.
Ela utiliza a exploração do pré-sal como exemplo da capacidade brasileira de desenvolver tecnologia própria para aproveitar recursos estratégicos. “O pré-sal mostrou que a tecnologia que o Brasil tem é ímpar. Nós é que achamos o pré-sal, nós é que começamos essa retirada. Então a gente tem tecnologia, a gente tem ciência o suficiente, falta a nossa vontade”, afirmou.
Na perspectiva de Dias, Goiás pode estabelecer parcerias para a exploração das terras raras, mas sem abrir mão do controle sobre os recursos e sobre os benefícios gerados pela atividade.
“O Estado controlando, e pode fazer parceria, sim, mas sob o controle do Estado para garantir que todo o retorno dessa riqueza seja feito na população, seja garantido com benefícios, com serviço direto para a população”, defendeu.
Na mesma declaração, ela também criticou um modelo baseado apenas na exportação da matéria-prima. Em sua avaliação, Goiás corre o risco de vender os minerais a um preço menor e posteriormente comprar produtos industrializados com esses mesmos recursos a valores muito mais altos.


