Projeto permite que vereadores de Goiânia assumam temporariamente vagas de deputado sem renunciar ao mandato

Os vereadores de Goiânia poderão pedir licença do cargo na Câmara Municipal para assumir vagas de suplente na Assembleia Legislativa de Goiás ou na Câmara dos Deputados. A possibilidade está prevista em um projeto que altera o regimento interno da Casa e ainda precisa ser aprovado em definitivo.

A matéria permite que parlamentares tirem licença sem remuneração quando forem convocados para assumir, na condição de suplentes, uma vaga de deputado estadual ou federal. Autor do texto, o vereador Henrique Alves, MDB, afirma que a proposta garante mais liberdade aos parlamentares sem permitir o exercício simultâneo dos dois mandatos.

Atualmente, quando um vereador se licencia para assumir temporariamente um mandato de deputado, precisa renunciar ao cargo para o qual foi eleito na Câmara Municipal. “Hoje, da forma como funciona, a pessoa que se licencia e assume esse cargo obrigatoriamente tem que renunciar ao mandato de vereador, que foi outorgado pela população”, critica a medida.

A proposta, segundo Alves, busca justamente eliminar a necessidade de renúncia. Com a mudança, o vereador poderia assumir temporariamente a vaga de deputado e, posteriormente, retornar à Câmara Municipal. “É abrir essa possibilidade para que não haja a necessidade de renunciar o cargo de vereador”, reforça.

O parlamentar também rebate a possibilidade de a medida ser interpretada como uma forma de acúmulo de poder. Segundo Henrique Alves, não haveria exercício simultâneo dos cargos, já que o vereador precisaria se licenciar da Câmara Municipal durante o período em que estivesse atuando como deputado.

“Não estamos falando de um acúmulo de cargo. A pessoa, para assumir esse mandato de deputado, obrigatoriamente teria que se licenciar do mandato de vereador”, argumenta.

Nesse período, outra pessoa assumiria temporariamente a vaga na Câmara Municipal. Para Henrique, a mudança permitiria ainda que o vereador contribuísse na representação de Goiânia em outras esferas do Legislativo.

Especialista questiona forma da proposta

Apesar de considerar que o conteúdo da proposta encontra respaldo constitucional, o advogado constitucionalista Matheus Costa chama atenção para a forma escolhida para promover a mudança.

Segundo o especialista, o projeto trata de uma questão relacionada às condições de exercício de um mandato eletivo, que é conferido diretamente pelo eleitor. Por isso, na avaliação dele, há fragilidade jurídica em fazer a alteração por meio do regimento interno da Câmara.“Estamos falando das condições de exercício de mandato eletivo, conferido diretamente pelo eleitor, na qual temos que ter como norte o que a Constituição nos traz”, afirma.

Matheus Costa explica que a proposta está sendo apresentada por meio de uma alteração no regimento interno, mecanismo que, segundo ele, deveria tratar principalmente das regras de funcionamento da própria Câmara.

Para o advogado, a mudança deveria ser feita na Lei Orgânica do Município, e não apenas no regimento interno da Casa. A matéria ainda passará por segunda votação em plenário. Caso seja aprovada, será promulgada pela Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia.